Tudo começou no ínicio da tarde daquela agradável tarde de sexta-feira. Como podemos sentir falta de algo que nunca foi nosso? Que nunca chegamos a de fato ter ou conhecer?
Aquele senhor me chamou pelo nome e estava disposto a me escutar. Mais que isso, estava realmente interessado na minha opinião, no que eu sabia... Aquele avô de alguém; na verdade, no mínimo, de cinco alguéns. Seu J., o nome dele. Grande conhecedor do que chamamos de vida. Pode ser um tanto quanto exagero, mas naquele momento me senti feliz pelos cinco alguéns; feliz por terem aquele senhor pra eles. Por terem um avô.
A rua estava razoavelmente tranquila para um final de sexta-feira. A pombinha carregava um graveto para talvez, quem sabe, um futuro ninho... As garças se banhavam no lago... Os pássaros voavam caoticamente de um jeito tranquilo.
Até que olhei para aquela sacada. Avistei meu vizinho debruçado na sacada. Aquele senhorzinho sempre calado, às vezes resmungão, apreciando o por do sol. A sensibilidade no olhar dele para a paisagem me tocou. Qualquer um tem tal sensibilidade e sem querer não perecebemos certas coisas e os magoamos.
Foi quando eu entendi o que deveras passou pela minha alma quando fiquei feliz pelos netos de avôs presentes. A nostalgia tomou conta de mim e eu percebi que eu sentia falta do meu avô.
Parei e sentei na frente daquela porta. Fitei por um bom tempo aqueles três números e me sentei no chão. Continuei fitando aquele pedaço de madeira que me privava de algo que eu nem sabia o que era.
Sim, insanidade por sentir falta de alguém que não conheci e de outro alguém que não pude conhecer.
A corda do elevador começou a fazer barulho e eu já não me importava com os ruídos a parte. Só que ouvi passos, um estrondo e mais passos.
A porta se abriu.
Levantei e entrei.

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