Os ratos

Finalmente morávamos em casa. Estávamos mais ou menos como naquela casa grande de três quartos que outrora moramos. Meu quarto não tinha janela para fora da casa novamente. Dava para sala. Talvez fosse um quarto que a janela dava para um muro. De qualquer forma naquela noite, não mais que de repente, eu ouvi ratos andando pelo telhado. Meio difícil, porém os ratos rondavam o assoalho da casa do andar superior. Eu olhava para o teto e via ratos.

Eu via a sombra dos ratos e seus rabos longos. Não estava acreditando muito bem o que estava se passando. Acendi a luz do celular e vi os vultos das sombras deles. Grandes ratos passeando pelo teto do meu quarto. Logo mais viram meu desespero, claro. Desceram para minha cama e minha grande surpresa foi quando olhei de perto. Eram coelhos. Muitos coelhos.

Os coelhos se apossaram de minha cama e assim ficamos. Eu, minha cama e os coelhos. Eles me rodeavam e de certa forma me confortavam. Dois estavam em meu travesseiro comigo. Um de cada lado. O do meu lado esquerdo estava de conchinha comigo e o do lado direito me olhava com grande profundidade. Um coelho preto com rajados brancos. Ele sabia o que eu sentia. Ele entendia cada parte de mim. O meu medo era acordá-lo durante a noite ao me mexer. De fato, ele acordava quando eu acordava. Foi assim que de braços-patas dados, achamos melhor que eles não ficassem mais ali. 

Dormimos bem, porém já era hora deles partirem. Na hora de partir, viraram todos gatos. Lindos gatinhos na busca de um lar adotivo em uma caixa de papelão ao pé de minha cama. Uma cama agora de solteiro. Alguns não resistiram. Fomos felizes naquela noite anterior pelo menos. Cada um tomou seu rumo. Mesmo sem saber qual era realmente nosso rumo.

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